O Início: O Golpe de 1964

 A Ditadura Militar no Brasil teve início em 31 de março de 1964, quando uma movimentação militar depôs o presidente eleito João Goulart. O movimento foi motivado por uma forte polarização política, crise econômica e o temor de setores conservadores e das Forças Armadas em relação às reformas de base propostas por Jango.

Diferente de outras ditaduras latino-americanas, o regime brasileiro manteve uma aparência de legalidade, preservando o Congresso Nacional (embora muitas vezes cassado ou fechado temporariamente) e realizando eleições indiretas para a presidência.


Leitura Recomendada

Pastores Mais Ricos do Mundo

O Caso Carlinhos e o Sequestro que o Brasil Jamais Esqueceu

O Império, as Polêmicas e a Vida Americana de Silas Malafaia

Os Anos de Chumbo e o AI-5

O período de maior endurecimento ocorreu entre 1968 e 1974. O marco fundamental dessa fase foi a promulgação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968, durante o governo de Costa e Silva.

O que o AI-5 permitia:

  • A suspensão do habeas corpus para crimes políticos.

  • O fechamento do Congresso Nacional pelo Presidente da República.

  • A cassação de mandatos e a suspensão de direitos políticos de qualquer cidadão.

  • A institucionalização da censura prévia à imprensa e às artes.

Nesta fase, a repressão aos movimentos de oposição e à luta armada intensificou-se, resultando em prisões, exílios e desaparecimentos políticos.

O "Milagre Econômico"

Paralelamente à repressão, o governo do General Emílio Garrastazu Médici viveu o chamado Milagre Econômico. Entre 1969 e 1973, o Brasil registrou taxas de crescimento do PIB superiores a 10% ao ano.

Características desse período:

  • Grandes obras faraônicas, como a Transamazônica e a Ponte Rio-Niterói.

  • Forte entrada de capital estrangeiro e incentivo ao consumo.

  • Aumento do endividamento externo e da desigualdade social, resumida na frase da época: "é preciso fazer o bolo crescer para depois dividi-lo".

A Abertura Política e a Redemocratização

A partir de 1974, com o General Ernesto Geisel, o regime iniciou um processo de transição definido como "lento, gradual e seguro". A crise do petróleo e a inflação crescente minaram o apoio das elites econômicas ao governo.

Os marcos da volta à democracia incluíram:

  1. Lei da Anistia (1979): Permitiu o retorno de exilados políticos e perdoou agentes do Estado e militantes.

  2. Fim do Bipartidarismo: O retorno do sistema pluripartidário.

  3. Diretas Já (1984): Movimento popular massivo que exigia eleições diretas para presidente. Embora a emenda tenha sido rejeitada no Congresso, a pressão popular tornou a ditadura insustentável.

O ciclo encerrou-se em 1985, com a eleição indireta de Tancredo Neves e a posse de José Sarney, culminando na promulgação da Constituição de 1988, a "Constituição Cidadã".

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem

Formulário de contato